Há dias em que passo horas tentando convencer a areia a sustentar, momentaneamente, uma forma que ela nunca foi destinada a conservar.
O ateliê é repleto de pequenas negociações. A umidade precisa ser cuidadosamente medida. Em excesso, deforma os blocos à medida que secam; em quantidade insuficiente, faz com que rachem. Cada molde é preenchido à mão e comprimido, grão por grão, até que a superfície comece a se assemelhar a algo sólido. Quando uma parede finalmente é montada, eu já sei que, em algum momento, ela irá rachar. As esculturas carregam em si a própria desintegração desde o instante em que são feitas.
Meu trabalho é frequentemente descrito como efêmero, mas essa palavra nunca me pareceu adequada. A areia não desaparece. Ela circula. Abandona uma forma apenas para assumir outra. Uma parede desmorona e retorna a grãos soltos. Uma imagem perde lentamente sua definição até se tornar indistinguível da superfície sob ela. A imagem não é destruída, mas transformada e reorganizada. Com o tempo, percebi que esse material revelava uma outra maneira de pensar a permanência: não como a capacidade de resistir à mudança, mas como a capacidade de sobreviver a ela.
Cresci em Cabo Rojo, na costa sudoeste de Porto Rico. Praias, manguezais, salinas, falésias de calcário, construções abandonadas e cercas passaram a fazer parte de um mesmo vocabulário muito antes de eu pensar em me tornar artista. Esses lugares nunca foram estáticos. A linha da costa se deslocava com as marés, furacões redesenhavam o litoral, construções eram lentamente retomadas pela vegetação, e o mar desestabilizava continuamente qualquer tentativa de estabelecer uma fronteira permanente entre terra e água.
Só mais tarde compreendi que essas transformações nunca foram exclusivamente naturais e que as paisagens carregam vestígios de forças políticas e histórias de poder. Aprendi que cercas podem determinar quem pertence a determinados espaços, enquanto um quebra-mar pode redirecionar a erosão para outra faixa do litoral. Até mesmo um cobogó decorativo, introduzido como parte do projeto de modernização de Porto Rico em meados do século XX, carrega toda uma história de aspirações coloniais e ideais importados sobre o que um território em desenvolvimento deveria ser.
Minha compreensão de Porto Rico mudou de maneira mais profunda depois do furacão María. Como muitas pessoas da minha geração, passei a transitar entre o arquipélago e os Estados Unidos. No início dos meus vinte anos, deixei o arquipélago pela primeira vez por meio de uma iniciativa de auxílio após o furacão, que me permitiu dar continuidade aos estudos, e mais tarde à pós-graduação, residências, docência e trabalho. A distância transformou a maneira como eu enxergava os lugares que acreditava já conhecer. A cada retorno, havia um novo desaparecimento. Com o tempo, lugares familiares tornaram-se vulneráveis ao desenvolvimento imobiliário, ao abandono e a outras formas de desapropriação. Gradualmente, minha relação com Porto Rico passou a ser menos uma questão de proximidade e mais uma questão de atenção.
As paisagens onde cresci sempre existiram por meio de ciclos de adaptação, perda e renovação. Os lugares com os quais me importava nunca existiram em estado de imobilidade. Manguezais, dunas e linhas costeiras sempre se adaptaram às mudanças das marés, aos padrões dos ventos e aos sistemas climáticos que atravessam o arquipélago. A própria areia é incessantemente deslocada, mas cada grão carrega vestígios de formações anteriores. Comecei a pensar nesses movimentos como uma forma de proteção, que permite às paisagens se transformarem sem perder sua conexão com as formas que as antecederam.
Essa percepção transformou meu ateliê.
A areia entrou no trabalho não apenas por vir dos lugares sobre os quais eu estava pensando, mas porque já incorporava as contradições que eu tentava compreender. Ela é, ao mesmo tempo, geológica e íntima. Existe na escala do corpo e na escala do tempo profundo. A areia registra pegadas, fundações, marés, desembarques militares, economias turísticas e transformações ecológicas sem jamais fixá-los em uma única narrativa. Ela recebe cada gesto, ao mesmo tempo em que se recusa a permanecer exatamente como era.
Grande parte do meu trabalho começa pela reconstrução temporária de infraestruturas familiares: paredes, cercas, blocos arquitetônicos e linhas costeiras. Recrio cobogós em areia comprimida, transformando uma das formas arquitetônicas mais reconhecíveis de Porto Rico em uma estrutura mantida apenas por pressão, umidade e cuidado. Algumas dessas paredes, construídas próximas ao mar, cedem lentamente ao vento, ao sal e à chuva. Em vez de lamentar seu colapso, compreendo-o como parte do próprio trabalho. As esculturas não fracassam; suas transformações carregam a tensão entre permanência e perda.
Em Construyendo a base del derrumbe, uma serigrafia em carvão da costa sudoeste de Porto Rico dissolve-se lentamente à medida que a vibração solta a areia sob ela. A paisagem se torna progressivamente ilegível até que imagem e matéria se tornem uma só. Interessa-me esse limiar em que a representação dá lugar à matéria e que o desejo de enxergar claramente um lugar começa a desmoronar. Durante séculos, as paisagens caribenhas foram mapeadas, exploradas e consumidas por meio de formas de visibilidade que prometem uma legibilidade total. Interesso-me pelos momentos em que uma paisagem, por meio de suas qualidades transformadoras, resiste a ser plenamente conhecida.
A erosão existe entre a perda e a transformação. É uma qualidade e através dela as paisagens são continuamente remodeladas, mas, em Porto Rico e em tantos outros lugares, ela também revela as consequências da vulnerabilidade climática e de formas desiguais de proteção diante das pressões do desenvolvimento. Essa compreensão atravessa as esculturas moldadas em areia e as impressões que lentamente se desgastam, retornam à condição de areia solta e resistem ao reconhecimento imediato. Esses gestos não são encenações do desaparecimento, mas reconhecimentos de que as paisagens permanecem vivas justamente porque são capazes de se transformar continuamente.
O mesmo pode ser dito sobre a areia. Cada grão já pertenceu a inúmeras paisagens antes de chegar ao meu ateliê e continuará existindo muito depois dessas esculturas retornarem ao pó. Há algo profundamente reconfortante nessa continuidade. Ela me lembra que a matéria nunca se perde; apenas muda suas obrigações.
Manter-se atento à paisagem significa reconhecer tanto sua capacidade de transformação quanto as histórias de intervenção, exploração e perda que moldam esses territórios.
Você pode encontrar mais informações sobre a Mariana Ramos Ortiz por aqui @la.habichuela // marianaramosortiz.com
Fotos: Courtesy of the artist.











