DEATH TO TENNIS por Hamadou Frédéric Baldé

Em 2015, entre Nova York e Paris, um encontro fortuito deu origem a um filme que é ao mesmo tempo instintivo, livre e profundamente colaborativo em espírito. O cineasta Hamadou Frédéric Baldé vivia então em Nova York, uma cidade que já moldava sua linguagem visual com energia crua, corpos diversos e uma cultura visual híbrida. Foi ali que conheceu Vincent Oshin, cofundador da marca nova-iorquina Death to Tennis, cuja abordagem singular reinterpreta os códigos do sportswear clássico e da alfaiataria em algo mais fluido, situado entre a elegância e a subversão.

A conexão foi imediata. Algumas semanas depois, HF retornou a Paris para uma filmagem, onde conheceu o produtor Hadrien Penavaire. Esse encontro marcou o início de uma colaboração contínua, sendo este filme o primeiro projeto desenvolvido em conjunto.

Enquanto isso, o diálogo criativo com Nova York continuava. Vincent Oshin enviou uma peça-chave da coleção — um poncho chamado Uniform — e concedeu a HF total liberdade criativa. Sem briefing e sem restrições,  abordou o projeto como um espaço de exploração, mantendo-se fiel a um processo intuitivo em que a peça se torna um ponto de partida, e não um fim em si mesma.

O filme foi então desenvolvido em Paris, movido por um senso de urgência criativa. Filmado ao longo de quase dois dias contínuos, em locações que vão de Montmartre ao Parc des Buttes-Chaumont e ao 13º arrondissement, captura uma energia mutável, quase instintiva. Diante da câmera, Louis Samka encarna uma presença física marcante, situada entre a performance e a representação.

Ao seu redor, uma equipe próxima ajudou a dar forma à visão. A diretora de fotografia Cécile Friedman construiu uma linguagem visual texturizada e sensível, enquanto a direção artística de Catia Mota Da Cruz, informada por sua formação em coreografia, impregnou o filme de um senso orgânico de movimento e corporalidade.

A escolha pelo preto e branco surgiu de forma natural. Ela reduz a imagem ao essencial, enfatizando contrastes, texturas e gestos, conferindo ao filme uma qualidade atemporal. O Uniform torna-se um elemento estruturante, quase escultórico, em torno do qual a composição visual se desenvolve.

Assim como a própria Death to Tennis, o filme resiste a definições fixas. Ele se situa em um espaço entre o filme de moda e a proposição artística, conduzido pela abordagem intuitiva de HF, na qual a narrativa cede lugar à sensação.

Este projeto marca, por fim, um momento decisivo: a primeira colaboração com um produtor, um intercâmbio criativo transatlântico entre Nova York e Paris, e o surgimento de uma linguagem visual que segue em evolução, mas já claramente singular.

Hamadou Frédéric Baldé

Produtor: Hadrien Penavaire

Designer: Vincent Oshin

Cabelo e maquiagem: Nadeen Mateky

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