Construído a partir de arquivos digitais das obras de Yufit, dos quais cenas selecionadas foram extraídas e remontadas em uma nova narrativa que viria a se tornar ölmondnacht, esse material foi então intencionalmente corrompido por meio de um processo de datamoshing, utilizando o software de edição de vídeo Avidemux, introduzindo glitches e distorções como parte de sua linguagem visual.
A partir desse vídeo corrompido, foram gerados stills digitais, posteriormente impressos com uma impressora jato de tinta. A artista deixou que os cartuchos de tinta se esvaziassem quase por completo antes de substituí-los, o que resultou em mudanças drásticas de cor ao longo do filme. Esse processo introduz um elemento de imprevisibilidade — caso a obra fosse refeita hoje a partir dos mesmos stills, inevitavelmente teria outra aparência, já que os níveis de tinta partiriam de um ponto diferente.
Além disso, algumas das imagens impressas foram manipuladas fisicamente — rasgadas, coladas ou parcialmente dissolvidas com a aplicação de água — intensificando a ruptura da imagem e enfatizando a degradação material como extensão do campo conceitual do filme.
Diretor: Anna Malina
Anna Malina é uma artista experimental que trabalha com autorretrato e imagens apropriadas, criando animações em .gif, curtas-metragens e videoclipes. Sua prática é fortemente influenciada pela pesquisa que realizou sobre a história do cinema e da imagem em movimento, e marcada por um interesse contínuo na materialidade, nas falhas e nas ausências.







