ölmondnacht por Anna Malina

ölmondnacht, um filme de Anna Malina, surgiu como uma resposta visceral à invasão da Ucrânia, país onde nasceu, pela Rússia em 2022.. À medida que imagens devastadoras inundavam as redes sociais, a sensação avassaladora de destruição e impotência tornou-se impossível de ignorar.

O filme tornou-se uma forma de Malina processar a violência que testemunhava à distância. Ela o descreve como uma espécie de fantasia de vingança — em última instância fútil, mas necessária — um meio de lidar com visões de terror que resistem a qualquer resolução. Trata-se da expressão de uma observadora distante  perante eventos catastróficos: um espaço em que tristeza e raiva são reelaboradas através da linguagem do cinema, a partir da apropriação e reinterpretação dos universos ficcionais de Yevgeni Yufit.

Construído a partir de arquivos digitais das obras de Yufit, dos quais cenas selecionadas foram extraídas e remontadas em uma nova narrativa que viria a se tornar ölmondnacht, esse material foi então intencionalmente corrompido por meio de um processo de datamoshing, utilizando o software de edição de vídeo Avidemux, introduzindo glitches e distorções como parte de sua linguagem visual.

A partir desse vídeo corrompido, foram gerados stills digitais, posteriormente impressos com uma impressora jato de tinta. A artista deixou que os cartuchos de tinta se esvaziassem quase por completo antes de substituí-los, o que resultou em mudanças drásticas de cor ao longo do filme. Esse processo introduz um elemento de imprevisibilidade — caso a obra fosse refeita hoje a partir dos mesmos stills, inevitavelmente teria outra aparência, já que os níveis de tinta partiriam de um ponto diferente.

Além disso, algumas das imagens impressas foram manipuladas fisicamente — rasgadas, coladas ou parcialmente dissolvidas com a aplicação de água — intensificando a ruptura da imagem e enfatizando a degradação material como extensão do campo conceitual do filme.

Diretor: Anna Malina

Anna Malina é uma artista experimental que trabalha com autorretrato e imagens apropriadas, criando animações em .gif, curtas-metragens e videoclipes. Sua prática é fortemente influenciada pela pesquisa que realizou sobre a história do cinema e da imagem em movimento, e marcada por um interesse contínuo na materialidade, nas falhas e nas ausências.

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