Bruno Cançado

Bruno Cançado (n. 1981, Belo Horizonte, MG) é mestre em Artes Visuais pela Cornell University, EUA, e graduado em Artes Plásticas pela Escola Guignard da UEMG e em Comunicação Social pela PUC Minas. Desde 2010, participa de exposições coletivas no Brasil e no exterior. Entre seus projetos e exposições individuais, destacam-se Jardim, no Centro Cultural Banco do Brasil, Belo Horizonte; Fraction, projeto solo para a Frieze New York; Vão, intervenção no Museu da Inconfidência, Ouro Preto; Começar pelo chão, na Galeria Silvia Cintra/Box4, Rio de Janeiro; A menor distância, na Central Galeria, São Paulo; e Trinca, na AM Galeria, Belo Horizonte.

Participou dos programas de residência artística do Lighthouse Works, NY (2019); Instituto Sacatar, Bahia (2015–2016); Fine Arts Work Center in Provincetown, EUA (2014–2015); e Bemis Center for Contemporary Arts, EUA (2013), entre outros. Seu trabalho integra as coleções do MAC Niterói e do Museu de Arte do Rio.

Meu ateliê é um espaço de encontro com os materiais, onde reúno matérias, formas, técnicas que me interessam e por ali começo. Esse começo muitas vezes se dá pelo próprio fazer. A prática me permite perceber os materiais, entender seus limites, possibilidades, significados. À medida que trabalho, a pesquisa vai tomando forma.

Os materiais, de certa forma, me orientam: como eles se aproximam, se afastam, se complementam, como reagem uns aos outros e à minha presença. Gosto do trabalho manual, de sentir o peso, a resistência, a textura, a temperatura das coisas. Meu ateliê é como uma oficina, onde aplico e invento processos, construo, monto, desmonto. Há muita tentativa e erro. Algumas coisas dão certo, outras não, outras tomam seus próprios rumos, distanciando-se do que eu imaginava. Os trabalhos vão acontecendo aos poucos, entre decisões e acidentes.

Meu espaço às vezes parece um canteiro de obras. Muito do que utilizo vem da construção civil. Terra, cimento, madeira, moldes, ferramentas, restos, fragmentos vão se acumulando e se misturando. O espaço vira uma bagunça onde tudo parece estar em movimento. E existe uma beleza nesse canteiro, em que as esculturas parecem nascer do chão.

Venho utilizando também técnicas de construção tradicionais, como adobe e pau a pique. A terra rica em óxido de ferro da região de Belo Horizonte (MG, Brasil), onde cresci, acaba se espalhando pelo espaço. Um pó fino, avermelhado, cobre as superfícies, trazendo a memória daquele chão para o ateliê.

Costumo trabalhar com gestos simples como empilhar, apoiar, amarrar, sustentar. Gosto da inteligência das mãos que existe nesses modos elementares de fazer arquitetura. Na série Colunas- pilha, por exemplo, cada escultura é composta por volumes feitos com variados materiais e processos de construção, como adobe, bambu, madeira, concreto, cerâmica, ferro. Esses volumes são reunidos e empilhados uns sobre os outros, erguendo uma coluna. São diferentes matérias que se sustentam e se completam na constituição de uma unidade arquitetônica.

Cada camada carrega um modo de fazer, um tempo e um lugar. Como descascar uma parede e descobrir sua história nas diversas camadas de técnicas e materiais utilizados em sua construção.

Saiba mais sobre Bruno Cançado: @brunocancado // brunocancado.com

Fotos: Cortesia do artista.

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