A alma não é uma substância fixa, mas uma instabilidade criativa, uma inconstância selvagem que dança entre corpos, naturezas e olhares. [Eduardo Viveiros de Castro]
A flor, o brilho da água, o rosto que se dissolve em cor, o pássaro em sua leve aparição, a palavra fragmentada nos lembram que o Sul é feito de fragmentos que nunca se fixam.
A vida não se apresenta como certeza, mas como oscilação: entre o visível e o invisível, o humano e o não-humano, o céu e a terra, a lembrança e o esquecimento.
O hemisfério sul, espaço tantas vezes margem.
As letras — “O SUL” — anunciam um lugar que é também uma orientação.
Demian Jacob é fotógrafo e artista visual do Rio de Janeiro, seu trabalho tem o foco principal a paisagem, a memória e os gestos silenciosos do cotidiano.
Formado em Geografia, aprimorou-se em fotografia no International Center of Photography, em Nova York, onde também trabalho de assistente para estúdio e diversos fotógrafos.
Trabalhando com processos analógicos — 35mm, Polaroid, Super 8 — acolhe o tempo, a imperfeição e o acaso, deixando as imagens livres de manipulação digital.
Em 2017, a série Objetos Deslizantes foi selecionada para integrar o acervo do Museu de Arte do Rio (MAR). Seu primeiro livro, Devaneios foi apresentado e lançado no Paris Photo em 2019 publicado pela Familia Editions.
Entre pesquisas autorais e projetos para marcas e publicações como Nike, Shiseido, Vogue Japan, Harper’s Bazaar, The Plant, Bloom, sua prática de trabalho se desdobra como documental e contemplativa.
Atualmente vive e trabalha no Rio de Janeiro.