Em grande parte, não sei para onde estou indo quando começo uma nova obra. As direções são incertas, mas os desejos são fortes. Começo moldando-a—extrudando, torcendo, dividindo, esculpindo—totalmente dentro de um modelo digital 3D. À medida que a escultura se desenrola, um espaço ou objeto começa a surgir. Em certo momento, ele começa a me dizer o que quer se tornar. Isso, sem dúvida, é a parte mais gratificante do processo criativo—quando me torno simplesmente um vaso para a própria obra de arte. Quando a imagem ganha forma, eu a levo para o mundo físico, utilizando gravação a laser, corte, pintura e marcenaria para dar vida a ela.
Embora eu sempre tenha desenvolvido meu corpo de trabalho por intuição, quando olho para trás, vejo um fio condutor consistente em tudo—um profundo anseio de reconectar com as ricas experiências sensoriais que o mundo físico oferece. Essas experiências são muitas vezes inacessíveis, ou até impossíveis, para o morador urbano moderno. Como caminhar por um cânion, sentir a textura e temperatura da sua rocha, inalar seus aromas; entrar em uma caverna e saborear sua escuridão, umidade e silêncio; sentar no alto de uma árvore, ouvindo o vento tecer seus sons através do labirinto da floresta.
Tendo passado grande parte da minha vida em grandes cidades como Nova York e São Paulo, estou bem ciente da transformação que ocorre diariamente ao meu redor. Esquina por esquina, a cidade se torna uma paisagem sempre em mudança com edifícios de vidro espelhado, adornados com câmeras de segurança. Não posso deixar de reconhecer a monotonia do mundo que criamos para nós mesmos—o empobrecimento sensorial que parece amaldiçoar a arquitetura moderna e a esterilidade tátil que aflige nossas cidades
Anseio reacender a conexão erótica entre o corpo e seu ambiente. Aqui, o erotismo vai além do sexual; é um conceito mais amplo que engloba aqueles momentos em que a vida e a morte, o prazer e a dor, o corpo e o espaço colidem—criando experiências transformadoras que rompem os limites do cotidiano. O erotismo é a vitalidade que surge do atrito entre o eu e o mundo, um estado espiritual e sensorial de abertura onde se mover pelo espaço parece nadar em um tipo de fluido amniótico, onde tudo cresce e se transforma espontaneamente.
Uma condição essencial para vivenciar o erótico é a vulnerabilidade. Sem ela, não há profundidade em nosso engajamento com o mundo. Aí está o desafio: enquanto precisamos nos proteger de estímulos esmagadores, perigo e violência, também devemos tomar cuidado para não aprisionar nossos sentidos em uma fortaleza impenetrável. É um equilíbrio delicado—o fino limite entre autopreservação e experiência transformadora. É nesse espaço de fronteiras constantemente móveis que a arte reside.
Para saber mais sobre Tom Capobianco @tom.capobianco
Fotos: Cortesia do artista.