Flávia Dalla Bernadina: O MUNDO (RE)CODIFICADO DE MARIANA NAGEM

É agosto de 2024, e Nova York está numa das semanas mais quentes do ano. Chego ao ateliê de Mariana Nagem, localizado no seu apartamento no Brooklyn, no final da tarde. Apesar de não estar nas suas origens e estar profundamente conectada aos seus próximos destinos, a artista me recebe com café, frutas e pão de queijo — um gesto que traz consigo a memória acolhedora da casa mineira.

Antes que comece a me mostrar o cosmos de sua produção artística, muito bem organizada em um dos cômodos, é perceptível que a artista ancora sua prática em um território conceitual sólido e coerente, estabelecendo um diálogo contínuo entre materialidade, tecnologia e natureza. Cada obra se desdobra como um capítulo de uma investigação contínua.

Mari Nagem é uma artista multidisciplinar que investiga as transformações do meio através da tecnologia, os estados emocionais na era digital e explora a artificialidade das paisagens a partir das intervenções humanas. Nascida em 1984, em Belo Horizonte, Minas Gerais, formou-se em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2007 e, em 2010, concluiu o Mestrado em Artes Visuais pela Haute École d’Art et Design de Genève, na Suíça. Compartilha as cidades de Nova York e São Paulo como residência, desenvolvendo projetos que abrangem vídeo, instalação e design. Foi finalista do Prêmio Pipa, recebeu o primeiro lugar no Prêmio Marcantonio Vilaça em 2021,  foi selecionada para a temporada de projetos no Paço das Artes em 2022, e em 2023, recebeu menção honrosa no SFER IK Award, que reconhece artistas cujo trabalho se concentra na interseção entre arte, natureza e tecnologia. Esta introdução — formal e necessária — é um convite ao leitor a um certo aterramento antes de adentrarmos à produção da artista.

Mari Nagem, Nesting, 2024. Técnica mista, dimensões variáveis. Cortesia da artista.

Sua pesquisa está sistematizada em cinco eixos principais, apresentados de maneira completa e organizada em seu site (www.marinagem.com.br), nesta ordem: The Forest, The Water, The Sun, The Minerals e The Machines.

Em The Forest, Nagem reflete sobre a intervenção humana nos ecossistemas naturais e as consequências dessas ações. Um exemplo é a obra Bird Fish (Peixe-Passarim), de 2024, um trabalho site-specific realizado no Parque Augusta em São Paulo, onde a artista propõe o deslocamento físico do espectador por meio de uma plataforma mecânica que lembra a cauda de um peixe.

A obra nasce de uma viagem à Floresta Amazônica, onde, após uma grande cheia, a artista nota que o barco navegava sobre a copa das árvores. Que mundo estaria ali submerso? Na instalação em São Paulo, Mari Nagem convida o público para esse movimento vertical, anunciando uma visão panorâmica, uma outra relação com a vida daquele espaço público.

Mari Nagem, Curator’s Notes of Eduardo Padilha in 45 minutes. Software personalizado, desenhos digitais, 3568 x 2008 px. Cortesia da artista.

Sua pesquisa está sistematizada em cinco eixos principais, apresentados de maneira completa e organizada em seu site (www.marinagem.com), nesta ordem: The Forest (A Floresta), The Water ( Água), The Sun (O Sol), The Minerals (Os Minerais) e The Machines (As Máquinas).

Em The Forest (A Floresta), Nagem reflete sobre a intervenção humana nos ecossistemas naturais e as consequências dessas ações. Um exemplo é a obra Bird Fish (Peixe-Passarim), de 2024, um trabalho site-specific realizado no Parque Augusta em São Paulo, onde a artista propõe o deslocamento físico do espectador por meio de uma plataforma mecânica que lembra a cauda de um peixe.

A obra nasce de uma viagem à Floresta Amazônica, onde, após uma grande cheia, a artista nota que o barco navegava sobre a copa das árvores. Que mundo estaria ali submerso? Na instalação em São Paulo, Mari Nagem convida o público para esse movimento vertical, anunciando uma visão panorâmica, uma outra relação com a vida daquele espaço público.

Mari Nagem, Bird Fish, 2024. Plataforma pantográfica para interação pública, dimensões variáveis. Cortesia da artista.

Na obra Theory of Evolution (Teoria da Evolução), de 2022, exibida no Paço das Artes, a artista recria um futuro distópico da humanidade. A instalação é composta por uma dracaena trifasciata, um tubo luminoso, fundição metálica, tinta automotiva e terra, em dimensões variáveis. Nagem sugere que, assim como as plantas são essenciais para a vida na Terra, os dispositivos luminosos tornaram-se indispensáveis. Nesse contexto ficcional, um galho morto e um tubo de led representam como seria a vida vegetativa em um futuro próximo.

Mari Nagem, Theory of Evolution, 2022. Instalação com dracaena trifasciata, tubo luminoso, fundição metálica, tinta automotiva e terra, dimensões variáveis.
Cortesia da artista.

Na série de trabalhos intitulada The Water, a artista utiliza diversas mídias para refletir sobre a influência da tecnologia e das mudanças climáticas no ambiente. Em Heatwave (Onda de Calor) (2024), apresentada na Galeria Lume em São Paulo, Nagem reproduz em uma instalação sonora o pau de chuva, instrumento musical de percussão de origem indígena, numa espécie de ritual mecanizado. Neste ato, a artista convoca a memória do espectador a partir da experiência, denuncia o empobrecimento da nossa percepção simbólica da vida e a precariedade da nossa relação com os rituais e com o tempo.

Dez anos antes, na instalação multimídia Heavy Metals (Metais Pesados), a artista dispõe 140 sacolas de plástico cheias de água no espaço expositivo, num período em que a cidade de São Paulo enfrentava uma grave crise hídrica, agravada pela contaminação dos ecossistemas aquáticos.

O título sugere um duplo sentido: Heavy Metals remete à “água pesada”, um termo químico para a água enriquecida com metais pesados, frequentemente associada a processos nucleares e radiação, e que também pode ser lido como uma metáfora para a densidade da água no contexto ambiental e simbólico. A artista propõe uma tensão a partir do elemento água, tão essencial à vida, e sua transformação em algo tóxico a partir da ação humana.

Mari Nagem, Heavy Metals, 2014. Instalação multimídia com 140 sacolas plásticas, alfinetes e água, dimensões variáveis. Cortesia da artista.

The Sun é uma série contínua onde a artista investiga a relação entre os corpos, a temperatura, os ciclos solares e a nossa compreensão digitalizada do tempo. A pesquisa envolve a investigação da intensidade da luz, a percepção do calor e a forma como esses fatores influenciam nossa experiência do espaço e do ambiente.

É provável que a artista explore essas características para transmitir a atmosfera de dias quentes, refletindo sobre as mudanças climáticas e sobre a relação do ser humano com o meio ambiente em condições de calor extremo. Na recente exposição Calorcito, realizada na Galeria Lume, em São Paulo, Nagem traz na obra Sunset (Pôr do Sol)  (2024) uma parede pintada em vermelho combinada a formas geométricas em neon, recriando um pôr do sol e seu suposto reflexo na água. Na paisagem árida e artificial, há um reconhecimento dessa cena, um pertencimento a um futuro embaçado e não muito distante

Mari Nagem, Vista da instalação na Galeria Lume, parte da exposição individual Calorcito, em São Paulo, Brasil. Cortesia da artista.

Mari Nagem, Ngram Series, 2024. Acrílico, látex e esmalte sobre tela, 40 × 50 cm. Cortesia da artista.

Em The Minerals, a artista explora a materialidade e a essência dos minerais, trazendo à tona questões sobre a exploração dos recursos naturais e nossa conexão com a terra. As obras dessa série criam um campo de diálogo entre os algoritmos e o gesto da artista. Suas Ngram Series, datadas de 2024, resultam em pinturas de observação de palavras mapeadas no Google Ngram Viewer. Cada palavra — como rain, heat, death (chuva, calor, morte)— que são apresentadas de forma opaca no meio da tela, ganha cor e relevo ao serem colocadas num gráfico que vai de 1920 a 2020, avaliando o percentual da sua incidência durante esse período. Em cada trabalho, os algoritmos desenham relevos gráficos que criam paisagens e se desdobram em narrativas próprias.

Outra obra de Minerals é In Gold We Trust (Em Ouro Confiamos), uma série de 25 desenhos inspirados na corrida do ouro no Brasil. A artista propõe uma reflexão crítica sobre a exploração do ouro no Brasil e seus desdobramentos simbólicos, históricos e econômicos. O título faz um jogo de palavras com a frase “In God We Trust”, que aparece nas cédulas de dólar dos Estados Unidos, uma paródia que questiona a fé nos valores econômicos e financeiros.

Esta série foi produzida pela artista durante uma residência artística com vista para a Serra de Itabirito, em Minas Gerais — uma região historicamente marcada pelo ciclo do ouro — e estabelece um paralelo entre o passado colonial, o presente e o futuro, com a busca incessante por riqueza e poder.

Mari Nagem, In Gold We Trust, 2018. Tinta sobre papel. 150 x 230 cm. Cortesia da artista

Finalizamos o percurso com The Machines, eixo de sua pesquisa onde a artista explora o papel das máquinas na construção da realidade contemporânea, a partir dos dispositivos tecnológicos que não apenas alteram o cotidiano, mas também manipulam a nossa percepção do mundo.

Visualmente, sua produção dentro de The Machines incorpora elementos como circuitos eletrônicos, interfaces digitais, mecanismos cinéticos e luzes artificiais, criando composições que evocam tanto a estética do digital quanto a materialidade industrial. Ao transformar máquinas em protagonistas de sua poética visual, Mari Nagem convida o espectador a refletir sobre o impacto dessas tecnologias na construção de subjetividades, na memória coletiva e na própria noção de realidade.

Mari Nagem, Actions to Relate to Oneself, 2017. Impressão em inkjet sobre papel, 58 x 42 cm cada. Cortesia da artista.

Verb List Compilation: Actions to Relate to Oneself / 1967-1968 – Richard Serra. Cortesia da artista.

No trabalho Cordiais, de 2021-23, realizado em parceria com o artista Thiago Hersan, que obteve o prêmio Marcantonio Vilaça, a obra opera na interseção entre arte, tecnologia e visualização crítica de dados, transformando representações históricas de mulheres brasileiras em composições abstratas baseadas em algoritmos de reconhecimento facial. Ao aplicar a detecção de emoções baseada em IA aos sujeitos pintados, o projeto expõe os vieses latentes e as estruturas subjacentes, tanto da retratística histórica quanto dos sistemas contemporâneos de vigilância.

A transformação de dados emocionais quantitativos em abstrações de blocos de cores não apenas cria uma linguagem visual, mas também questiona a autoridade e a objetividade da interpretação algorítmica. Nagem questiona, nesse sentido, a artificialidade da experiência mediada por sistemas digitais e algoritmos, abordando como essas máquinas filtram, codificam e reconfiguram as informações que consumimos.

Nessa cartografia conceitual, podemos entender as categorias criadas pela artista como uma estratégia de (re)codificação do mundo. No texto O Mundo Codificado, Vilém Flusser argumenta que a realidade contemporânea é cada vez mais mediada por sistemas de signos e categorias que organizam nossa percepção. Segundo ele: “Os homens têm de se entender mutuamente por meio dos códigos, pois perderam o contato direto com o significado dos símbolos. O homem é um animal alienado e vê-se obrigado a criar símbolos e a ordená-los em códigos caso queira transpor o abismo que já existe entre ele e o mundo” (p.130).

Mari Nagem, Linda & Divani, 2023. Gif animado, parte da série Cordiais. Cortesia da artista.

Mari Nagem, Linda & Divani, 2023. Vista da exposição no Centro Cultural São Paulo, Brasil. Nesta instalação, todas as emoções básicas (felicidade, surpresa, tristeza, nojo, raiva e medo) da pintura Linda Divani são quantificadas, com um léxico de cores e materiais para cada uma das emoções. A porcentagem de cada emoção é gravada em acrílico e a pintura é exibida em um monitor. Cortesia da artista.

Para complementar o suporte teórico de Flusser, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han – que a artista recorre frequentemente em suas pesquisas – diz que o mundo está desprovido de simbólico, pois dados e informações não são constitutivos dessa força. O tempo se esvai pelos dedos, tornando-se volúvel, inabitável. Os rituais cumprem a função de criar nele (o tempo) o que a casa materializaria no espaço – o encasamento, como ele mesmo diz.

Mari Nagem propõe uma recusa a esse vazio simbólico apropriando-se da sua causa: dados e informações. Nessa dupla operação, aciona cores, luzes e sons, desenvolvendo uma gramática que neutraliza o esvaziamento justamente porque mergulha nele, porque o expõe.

Se fecharmos os olhos, o que vemos? Florestas com plantas em neon, um pôr-do-sol geométrico, algoritmos que desenham montanhas e gráficos que performam emoções. Se os artistas antecipam a vida, trazendo notícias de um futuro que caminha em nossa direção, Mari Nagem (re)codifica o mundo para que possamos abrir os olhos com lentes menos embaçadas. Um convite para olhar o que não queremos ver.

Mari Nagem, Studies for happiness, 2021 (parte da série Cordiais). Tinta acrílica, látex e folha de ouro. Cortesia da artista.

Advogada em Propriedade Intelectual.  Pós-graduada em Arte e Cultura pela Universidade Cândido Mendes (IUPERJ), Mestre em Artes Visuais pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da Universidade Federal do Espírito Santo (PPGA/UFES). Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos em Direitos Autorais e Interesse Público da Universidade Federal do Paraná (GEDAI/UFPR), Presidente de Comissão de Direitos Culturais e Propriedade Intelectual da OAB/ES, membro da Comissão Especial de Propriedade Intelectual da OAB Nacional.

Diretora artística na galeria Matias Brotas, coordenando as exposições da galeria, as participações nas feiras e projetos como o Clube do Colecionador. Como curadora independente, realizou projetos como o livro de 40 anos de carreira do artista Fernando Augusto, a curadoria adjunta da sua exposição “A persistência da paisagem” e a curadoria da exposição “Rotas Impermanentes”, da artista Marta Monteiro, na Cidade das Artes.

Idealizadora do podcast Conversa com Artista. Foi curadora convidada da RU – Residency Unlimited, em agosto de 2024. Coordena e escreve na coluna Arte + do jornal Folha Vitória.

Para saber mais sobre Flávia Dalla acesse: @flaviadalla // linktr.ee/flaviadalla

Mari Nagem, Tectonics, 2015. Impressão em inkjet sobre papel de algodão. 58,4 x 76,2 cm. Cortesia da artista.

Mari Nagem (1984, Brasil) investiga as transformações do meio ambiente por meio da tecnologia, os estados emocionais na era digital e explora a artificialidade das paisagens a partir das intervenções humanas. Explorando cores ousadas, contornos nítidos e selecionando títulos de forma meticulosa, Nagem propõe questões existenciais (e virtuais) com certa irreverência.

EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS E DUO

2024 Calorcito – Galeria Lume (São Paulo, BR) 

2022 A Floresta –  Paço das Artes – (São Paulo, BR) 

2018 Routine + Happiness – Somos Arts House (Berlin, DE) 

2014 360 – Qual Casa (São Paulo, BR)

2013 Impressões da Terra – MIS,  Museum of Image and Sound of São Paulo (São Paulo, BR)

2010 (Part of) First Impressions on the Earth- Rodeo 12 (Geneva, CH) 

2009 La Conquête de L’espace, hors temps  – Galeria Ruine (Geneva, CH)

SELECTED EXHIBITIONS

2025 Postcards From The Edge – Berry Campbell Gallery (New York, US)

2024 NÓS – Arte e Ciência por Mulheres  – FUTUROS (Rio de Janeiro, BR)

2024 SVA Summer Showcase – Flatiron Project Space (New York, US)

2024 BirdFish, public piece at 12 Mostra 3M de Arte – Parque Augusta (São Paulo, BR)

2024 Art in Nature – Sferik Museion (Tulum, MX)

2024 In/Between – New York Live Arts (New York, US)

2023 Oh, I Love Brazilian Women – Centro Cultural São Paulo and MAC Niterói (Rio de Janeiro, BR)

2022 Condições de Existência  –  Bienal de Arte Digital, Oi Futuro Flamengo (Rio de Janeiro, BR)

2022 On the Elasticity of Resilience – Panke Gallery and Savvy Contemporary – (Berlin, DE)

2022 Museum Without Walls – Queen’s University (Ontário, CA)

2022 State of Affairs – Bica + Guava Platform (BR)

2022 We are here – Sesc Pinheiros – (São Paulo, BR)

2021 Mineral Garden – Museum of Mines and Metals (Belo Horizonte, BR)

2021 Ocupação WR#2 – Bica Platform (Vitória, BR)

2021 The State of Things at Bienal Sur – Museum of Contemporary Art of Rosario  (Rosário, AR) 

2021 Digital Jokes at Digitale Dusseldorf – Weltkunstzimmer (Düsseldorf, DE)

2021 Optic Shuffle, Renaissance Protocol – Theater Lab (New York, US)

2021 Crash – Prisma (BR) – artist | curator (BR)

2021 Fogo-Fátuo – Prisma (BR)  

2021 Em Redes –  Artsoul  (São Paulo, BR)

2021 Confirm Humanity – Homeostasis.lab (São Paulo, BR) – artist | curator

2020 Últimos Dias – Espaço Fonte  (São Paulo, BR)

2019 Estratégias do Feminino – Farol Santander (Porto Alegre, BR)

2019 Parallel Screens – Gallery 1805 (San Diego, EUA) – Hermes Artes (SP, BR) – Nova (Weimar, DE)

2018 Estufa at SPFWSão Paulo Fashion Week (São Paulo, BR) – artist | curator 

2017 Homeostase @ The Wrong Digital Art Biennale – CCSP (São Paulo, BR)

2017 Falhas para o Futuro, with Blasfêmeas – SAO (São Paulo, BR)

2017 Na ponta da vista – PONDER70 (São Paulo, BR)

2015 Contraprova II – Paço das Artes (São Paulo, BR)

2012 Vida Útil – Casa das Caldeiras (São Paulo, BR)

2012 The Locomotion – Casa das Caldeiras (São Paulo, BR)

2011 Promenade Baroque BerlinMusée Carnavalet  (Paris, FR) – Espace Fusterie  (Geneva, CH)

2010 Alternated Copies – project PLAINE OFF, Plainpalais square (Geneva, CH)

2010 Double Archive – project PLAINE OFF, Bâtiment d’art contemporain (Geneva, CH)

2010 Aménager – project PLAINE OFF, Plainpalais square (Geneva, CH)

2009 Ce qui arriveAthens Video Art Festival (Athens, GR)

2008 Esculpir a Vida, Viver a Obra – Galeria UFMG (Belo Horizonte, BR)

2007 Cem Linha – Galeria UFMG (Belo Horizonte, BR)

2007 Ex-posição no Centro – “Atelier Aberto”, Centro Cultural UFMG (Belo Horizonte, BR)

2005 Habeas Corpus – Galeria UFMG (Belo Horizonte, BR)

2004 Habeas Corpus – Faculdade de Medicina da UFMG (Belo Horizonte, BR)

AUXÍLIOS, RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS, PROGRAMAS DE APOIO

2025 Artist in Residency – Rondo (México City, MX) – Upcoming 

2024 Nominated for CIFO – Ars Eletronica | Cisneros Fontanals Art Foundation (Linz, AT)  

2024 SFER IK Museion Special Recognition Award: Art in Nature – Artist-in-residency and artwork production at SFER IK Museion (Tulum, MX)

2024 Nominated for the Pipa Prize – The Window into Brazilian Contemporary Art (BR)

2024 Celia & Wally Gilbert Artist-in-Residency fellowship at Center for Humanities & History of Modern Biology, at Cold Spring Harbor Laboratory (NY, US)

2024 NYFA Immigrant Artist Mentoring Program  (NY, US)

2022 Ox-Bow Conversation in Practice Program Fellowship (US)

2022 – 2021 First prize at Marcantonio Vilaça award – Funarte (Rio de Janeiro, BR)

2021 Artist-in-residence at the Museum of Mines and Metals (Belo Horizonte, BR)

2021 Artist-in-residence at BICA Residency #2 (BR)

2019 Chicas Poderosas New Ventures Lab fellowship (PT – BR)

2018 Artist-in-residence at SomoS Arts House (Berlin, DE)

2013 Artist-in-residence at Vátelon (Villa Soriano, UY)

2012 Artist-in-residence at Casa das Caldeiras (São Paulo, BR)

2010-2009 Awarded scholarship from Université de Genève, UNIGE (Geneva, CH)

2004 First  prize at Criafest award – editorial category (Belo Horizonte, BR)

Para saber mais sobre Mari Nagem: @mari_nagem

Mari Nagem em seu estúdio, São Paulo, 2024. Cortesia da artista.

Hero Image: Mari Nagem, Cordiais, 2021. Website interativo, imagens arquivadas, pinturas de dados, tecnologia de reconhecimento de emoções faciais e software personalizado, dimensões variáveis. Cortesia da artista.

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