Gabriella Garcia

Gabriella Garcia (Rio de Janeiro, 1992) é uma artista autodidata cuja prática transita entre escultura, pintura e instalação. Seu trabalho não apenas dialoga com o espaço onde se insere, mas também com suas origens e referências. Figuras recortadas ocupam o ambiente por meio de materiais diversos, resultando em composições que evocam o cênico, a arquitetura e a reconstrução narrativa, frequentemente utilizando elementos resgatados e restaurados pela própria artista.
Na construção de uma imagem, seja ela bi ou tridimensional, Garcia trabalha em um contínuo esforço de fusão: uma incessante busca de assimilação de materiais que, em suas essências, trazem na materialidade dados históricos e novas idéias de representação a partir de uma proposta de descontinuação de farsas históricas.
Os trabalhos instauram um exercício dinâmico de confronto entre gesto e natureza, manipulação e reestruturação, criando um campo de tensão onde o ato artístico se torna uma ferramenta singular para reescrever nossa própria história.

Acho importante começar este texto contextualizando vocês sobre meu campo de produção ser definitivamente muito amplo. Se você acompanha meu trabalho ou se o observar através de uma linha do tempo, perceberá que não me prendo a uma técnica específica nem a um segmento definido. No entanto, garanto que ali sempre existirão “consequências de identidade”, manifestadas por meio do que eu poderia chamar de pequenas obsessões, paixões ou até mesmo vícios.

Esses hiperfocos se tornam grandes influências em minha pesquisa, e sem dúvidas, o maior deles é a prática do resgate — o garimpo, a busca incessante por algo que, muitas vezes, nem sei o que é. O acaso é um poderoso aliado que dá origem a enredos inesperados, me possibilitando de criar novas histórias a partir da própria carga histórica presente naquele objeto. Através da iconografia e da materialidade, tenho a oportunidade de construir e, por vezes, destruir essas narrativas históricas que estavam intrínsecas ali. Os enredos se formam quando atuo na assimilação e na fusão desses materiais resultando em trabalhos (na minha cabecinha) que emergem como uma nova mitologia ou até mesmo uma nova espécie.

A potência da farsa também é algo que me intriga tanto em narrativas históricas já inseridas colonialmente quanto em possibilidades de usar dessa mesma artimanha para propor novas formas de pensar em algo, por exemplo, a idéia de camada, de peso, de equilíbrio. Forjá-los. Encená-los, como em uma arena onde cada expectador verá por um angulo diferente.

A ilusão é algo que me encanta. A escultura me leva para esse lugar.

Já a pintura me transporta para fora do tempo, me conduzindo a outra proposta de trabalho, trata-se de uma produção mais lenta, mais fluida, mais livrona mesmo, que não acontece necessariamente quando
quero, mas sempre no momento em que mais preciso.

Por fim, trago novidades:

Em Agosto de 2025, a convite de seus diretores do programa, farei
parte do Sicily Art Residency Program que acontece no Palazzo Previtera localizado em Lingua Glossa da Sicilia, sul da Italia. Na residência produzirei três obras que fazem parte de três importantes séries que desenvolvo há alguns anos “This Dream May Not Happen”, “Nós Não Somos Assim Tão Fortes” e “Jurei Mentiras” que se relacionam com a proposta de inverter papéis enquanto falamos sobre a idéia da representação e da reprodução na história.

No fim do período de imersão irei apresentar as obras em um formato de instalação no Espaço Expositivo da SARP Gallery e o show ficará aberto ao público do dia 14 de Setembro ao dia 14 de Outubro. É um projeto muito interessante que estou muito animada, faz muito sentido estar na Italia falando sobre tudo que levanto enquanto pesquisa. 

Saiba mais sobre Gabriella:  @gabriellinha__ // www.gabriellagarcia.com.br

www.galerialume.com/artista/gabriella-garcia/

Retrato P&B: Anita Goes. Outras imagens: Cortesia da artista.

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